domingo, 25 de octubre de 2026

POR QUE VOTARIA EM LULA

 

Quem seria um melhor presidente para o Brasil? Para muitos a reposta é clara. Ao menos entre as faixas da população mais interessadas em política e quem mais faz proselitismo, seja nas ruas seja nas redes, a sua opção é muito melhor do que outra.

Disso advém as visões caricaturais do adversário. Eleitores de Flávio Bolsonaro pintam Lula e o PT como se estivessem exclusivamente voltados para a corrupção e como se todos os problemas do Brasil fossem decorrentes da ladroeira.

Já os eleitores de Lula usam e abusam dos termos extrema-direita, fascismo, homofóbico, misógino, racista e ditadura para se referirem a Flávio e ao universo bolsonarista.

Sim. É verdade que houve inúmeros casos de corrupção envolvendo governos liderados pelo PT e que o caso do triplex de Guarujá, que levou Lula à prisão, se teve manchas em termos processuais, não deixou muitas margens para dúvida da relação promíscua entre Lula e construtoras de obra pública. Porém, Flávio está longe de ter um passado ilibado em termos de conduta na vida pública. Já esteve envolvido em vários escândalos - o mais famoso, o da rachadinha, em que teria ficado com parte do salário de assessores de quando era deputado estadual no Rio de Janeiro, e no qual só escapou duma condenação porque as provas das movimentações bancárias que demonstravam isso foram obtidas de modo ilegal - e até já teve ligação com milicianos.

Assim como é verdade que o líder do clã Bolsonaro, Jair Bolsonaro, no final do seu mandato, em 2022, participou do esboço dum golpe de estado. Se foi algo totalmente atabalhoado e não foi levado minimamente a cabo, foi uma demonstração de que o ex-presidente flertou com a ruptura institucional. Entretanto, pouco leva a crer que com Flávio a democracia brasileira esteja fortemente ameaçada. Assim como tampouco estarão ameaçados negros, mulheres e LGBTs. No tocante às questões de gênero, no governo do seu genitor até foram aprovadas leis que protegiam as varoas, como a de violência psicológica, que até pode ser considera misândrica. E nunca houve qualquer política discriminatória contra outros coletivos. O maior problema de Bolsonaro pai foi o desdém com o qual tratou a covid, chegando até a ridicularizar quem tinha pego o vírus e sendo pouco ativo na compra das vacinas. Se isto esteve longe de caracterizá-lo como genocida, como o acusaram seus adversários, foi uma mostra de sua falta de sensibilidade para algo que era consensual – diferentemente de ter sido contra a quarentena, algo muito mais discutível.

Se o debate entre lulistas e bolsonaristas fosse voltado para o que cada candidato tem a oferecer ao Brasil, este seria muito mais rico e esclarecedor. Mas os programas tanto de Lula como de Flávio são apenas um conjunto de elementos genéricos e que pouco dizem no concreto como seus governos poderão resolver ou atenuar seus flagelos.

Hoje o principal problema do Brasil é a sustentabilidade dos gastos públicos, com uma dívida pública líquida que aumentou de 55% do PIB para 65% desde 2023. Fruto em grande parte do aumento do juro, por sua vez resultado dum balanço fiscal que acumula sucessivos déficits nos últimos anos, fazendo com que investidores imponham um prêmio de risco para que o país possa financiar-se. Isso num cenário em que o país tem tido recordes de arrecadação. O que sugere que a via impositiva está esgotada para lidar com esta grave questão. Porque mais impostos significariam mais dificuldade para o crescimento econômico.

O grande problema das contas públicas são os gastos obrigatórios e o campeão deles é o previdenciário, que representa cerca de 40% dos gastos primário do governo federal. Por isso uma nova reforma da previdência é essencial. O candidato que mais estaria propenso a isso seria Flávio. Não pelo que ele diz. Mas pelo que dizem seus assessores.

Visto desde este prisma, Flávio seria a opção melhor. Entretanto, há algo ainda mais importante que o econômico. O ambiental. Como disse o ex-vice-presidente dos EUA Al Gore, “não há planeta B”. O desmatamento na Amazônia diminuiu muito no atual governo de Lula em relação ao de Bolsonaro pai. Cerca de 70% de 2026 para 2022. A “internacional de direita” da qual faz parte Flávio é habitualmente recalcitrante a respeito das associações entre emissões de CO2 e aquecimento global, indo na contramão de quase todos os especialistas no tema.

Portanto, e tendo em consideração a importância da Amazônia para o mundo, apesar do risco que a continuação de Lula no poder tem para a economia, se votasse neste pleito, votaria pela sua reeleição.   


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