Quem seria um melhor presidente para o
Brasil? Para muitos a reposta é clara. Ao menos entre as faixas da população
mais interessadas em política e quem mais faz proselitismo, seja nas ruas seja
nas redes, a sua opção é muito melhor do que outra.
Disso advém as visões caricaturais do adversário.
Eleitores de Flávio Bolsonaro pintam Lula e o PT como se estivessem
exclusivamente voltados para a corrupção e como se todos os problemas do Brasil
fossem decorrentes da ladroeira.
Já os eleitores de Lula usam e abusam dos
termos extrema-direita, fascismo, homofóbico, misógino, racista e ditadura para
se referirem a Flávio e ao universo bolsonarista.
Sim. É verdade que houve inúmeros casos de
corrupção envolvendo governos liderados pelo PT e que o caso do triplex de
Guarujá, que levou Lula à prisão, se teve manchas em termos processuais, não deixou
muitas margens para dúvida da relação promíscua entre Lula e construtoras de
obra pública. Porém, Flávio está longe de ter um passado ilibado em termos de
conduta na vida pública. Já esteve envolvido em vários escândalos - o mais
famoso, o da rachadinha, em que teria ficado com parte do salário de assessores
de quando era deputado estadual no Rio de Janeiro, e no qual só escapou duma
condenação porque as provas das movimentações bancárias que demonstravam isso foram
obtidas de modo ilegal - e até já teve ligação com milicianos.
Assim como é verdade que o líder do clã
Bolsonaro, Jair Bolsonaro, no final do seu mandato, em 2022, participou do esboço dum golpe
de estado. Se foi algo totalmente atabalhoado e não foi levado minimamente a cabo,
foi uma demonstração de que o ex-presidente flertou com a ruptura institucional.
Entretanto, pouco leva a crer que com Flávio a democracia brasileira esteja
fortemente ameaçada. Assim como tampouco estarão ameaçados negros, mulheres e LGBTs.
No tocante às questões de gênero, no governo do seu genitor até foram aprovadas
leis que protegiam as varoas, como a de violência psicológica, que até pode ser
considera misândrica. E nunca houve qualquer política discriminatória contra outros
coletivos. O maior problema de Bolsonaro pai foi o desdém com o qual tratou a
covid, chegando até a ridicularizar quem tinha pego o vírus e sendo pouco ativo
na compra das vacinas. Se isto esteve longe de caracterizá-lo como genocida,
como o acusaram seus adversários, foi uma mostra de sua falta de sensibilidade
para algo que era consensual – diferentemente de ter sido contra a quarentena,
algo muito mais discutível.
Se o debate entre lulistas e bolsonaristas
fosse voltado para o que cada candidato tem a oferecer ao Brasil, este seria
muito mais rico e esclarecedor. Mas os programas tanto de Lula como de Flávio são
apenas um conjunto de elementos genéricos e que pouco dizem no concreto como seus
governos poderão resolver ou atenuar seus flagelos.
Hoje o principal problema do Brasil é a
sustentabilidade dos gastos públicos, com uma dívida pública líquida que aumentou
de 55% do PIB para 65% desde 2023. Fruto em grande parte do aumento do juro,
por sua vez resultado dum balanço fiscal que acumula sucessivos déficits nos
últimos anos, fazendo com que investidores imponham um prêmio de risco para que
o país possa financiar-se. Isso num cenário em que o país tem tido recordes de
arrecadação. O que sugere que a via impositiva está esgotada para lidar com
esta grave questão. Porque mais impostos significariam mais dificuldade para o
crescimento econômico.
O grande problema das contas públicas são os
gastos obrigatórios e o campeão deles é o previdenciário, que representa cerca
de 40% dos gastos primário do governo federal. Por isso uma nova reforma da
previdência é essencial. O candidato que mais estaria propenso a isso seria Flávio.
Não pelo que ele diz. Mas pelo que dizem seus assessores.
Visto desde este prisma, Flávio seria a opção
melhor. Entretanto, há algo ainda mais importante que o econômico. O ambiental.
Como disse o ex-vice-presidente dos EUA Al Gore, “não há planeta B”. O
desmatamento na Amazônia diminuiu muito no atual governo de Lula em relação ao
de Bolsonaro pai. Cerca de 70% de 2026 para 2022. A “internacional de direita”
da qual faz parte Flávio é habitualmente recalcitrante a respeito das
associações entre emissões de CO2 e aquecimento global, indo na contramão de quase
todos os especialistas no tema.
Portanto, e tendo em consideração a
importância da Amazônia para o mundo, apesar do risco que a continuação de Lula
no poder tem para a economia, se votasse neste pleito, votaria pela sua
reeleição.






