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domingo, 22 de mayo de 2011

"GLORIOSO FÊCÊPÊ"


Se antes desta época tinha dúvidas, o desfecho dela - com o Porto campeão da Liga Europa, do Campeonato Nacional e da Taça de Portugal - não me deixa interrogação. O Porto já pode ser considerado o clube mais vitorioso de Portugal.

Apesar de ter menos sete títulos de campeão nacional que o Benfica (32 x 25), os últimos triunfos portistas nas competições internacionais transformaram os azuis e brancos no maior clube português.

Tanto o Benfica quanto o Porto têm duas Ligas dos Campeões Europeus, e o Benfica ainda possui um historial melhor na prova rainha do desporto-rei interclubes do Velho Continente, com outros cinco sub-campeonatos. Mas na última década o Porto logrou engrandecer exponencialmente seu palmarés internacional. Para além da Liga dos Campeões de 2004, o Porto somou duas Ligas Europa (2003, 2011) e uma Taça Intercontinental (2004), o que tornou o Porto o verdadeiro número um de Portugal.

É impressionante, e um caso de estudo, o crescimento alcançado pelos Dragões nas últimos décadas. Até a época 1983-84 a equipa só tinha oito títulos de campeão nacional. Nas últimas vinte e sete temporadas foram 17 conquistas do Campeonato Nacional. Da época 1934-35 (a do início do Campeonato Nacional) até a de 1983-84 foram apenas oito títulos. Ou seja, 68% dos títulos de campeão nacional do FC Porto foram obtidos depois de 1984, contra 32% nas 50 épocas anteriores.

Os triunfos internacionais do FC Porto são ainda mais uma amostra da macro evolução dos portistas. Não apenas pelos títulos em si, mas, fundamentalmente, pelo contexto europeu dos últimos anos. É dizer, uma Europa dominada desde a Lei Bosman, na segunda metade da década de 1990, amplamente por Itália, Espanha e Inglaterra, pelo poder económico, que passou a mandar imperialmente no futebol europeu. O Porto foi dos únicos que conseguiram romper esta barreira. Desde a segunda metade dos anos 1990 o Porto foi o único dos clubes não italianos, ingleses e espanhóis, ao lado do Bayern de Munique, que venceu a Liga dos Campeões.

Definitivamente, o legítimo dono do título de “O Glorioso” não pertence mais ao Benfica. Seu novo “proprietário” é o Porto.

martes, 16 de febrero de 2010

SPORTING: É CORRECTO TER COMO ALVO APENAS O QUARTO LUGAR?


O presidente do Sporting, José Eduardo Bettencourt, declarou há poucos dias que o objetivo da equipa para o que resta de temporada era o quarto posto. Com muitos pontos atrás dos postos de acesso à Liga dos Campeões, não restaria outra.

Sua declaração mereceu como reação a revolta de alguns leoninos, entre os quais o ex-candidato à presidencia, Abrantes Mendes, que disse temer que em um futuro próximo o Sporting esteja a lutar para não descer de divisão.

Gostaria de saber se o senhor Mendes acha se é possível que uma equipa que joga um futebol tão irregular, que foi eliminada de maneira impiedosa pelos rivais FC Porto e Benfica, na Taça de Portugal e na Taça da Liga, respectivamente, pode iludir os seus adeptos.

O dizer de Bitetencourt é tão realista quanto falar que o défice público português ficará abaixo dos 3% do PIB para este ano. O que se deverá lutar por parte do governo é que não ultrapasse muito a meta de 8,3%

Os dirigentes, direcção técnica e jogadores nesta mesma linha tampouco podem articular aquele discurso de que “há muitos pontos a serem disputados e os adversários ainda podem tropeçar”.

Milagres no futebol até existem, mas têm limites. E nem os mais fabulosos dos deuses do futebol conseguiriam fazer tanta coisa inimaginável, que nossa sofrível equipa seja imbatível e que os que estão na luta pelo título de campeão e pela Liga dos Campeões comecem a cair ladeira abaixo.

Outra comentário muito clarificador do mandatário máximo leonino foi dizer que o “Sporting não tem tiques e hábitos de uma equipa vencedora”. Não apenas fazendo referencia aos plantel, e sim a todos o complexo orgazacional do clube do Lumiar.

Para ter o tal habito vencedor, Bettencourt acha que os sportinguistas terão que “pedalar muito”.

Há muito anos, diria décadas, que é necessário que alguém assuma este discurso de honestidade em relação às perspectivas do clube, que, infelizmente, desde os anos 1950 esteve sempre distante do potencial vencedor primeiro do Benfica e depois do FC Porto a partir dos anos 1980. Somente em períodos pontuais, que não duraram mais do que uma temporada- a última vez que o Sporting conseguiu renovar um título de campeão nacional, por exemplo, foi na época 1953-54, o ano do tetracampeonato- o Sporting esteve no topo.

Potencial, em termos de apoio não falta ao Sporting, embora não tanto no âmbito quantitativo como o Benfica. Mas no lado qualitativo são poucos os clubes no mundo que contam com uma massa associativa tão fiel como a nossa, apesar dos sucessivos fracassos ao longo dos anos.

O historial de decepções do Sporting não é, entretanto, um fado. É só verem o exemplo do FC Porto, que de um clube complexado até o final dos anos 1970, encarrilhou uma série de êxitos impar na história do futebol mundial, em termos de expansão.

Reconhecer a nossa inferioridade é um primeiro passo. Só não devemos ficar refém dela, interiorizando o derrotismo. Será este o grande desafio do presidente Bettencourt após suas sinceras palavras.